Onde estão vendo

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

CONCEITUAÇÃO DA LOGÍSTICA

“Uma boa estrutura organizacional não produz por si só um bom desempenho - assim como uma boa Constituição não garante grandes presidentes, ou boas leis, ou uma sociedade moral. Mas uma estrutura organizacional pobre torna um bom desempenho impossível, não importa quão bons os gerentes possam ser. Melhorar a estrutura da organização (...) conseqüentemente melhorará sempre o desempenho”. (DRUCKER, 1954)

A evolução da logística está ligada ao comércio e seu desenvolvimento. Segundo Ballou (1993), na antiguidade as mercadorias que as pessoas desejavam eram produzidas distantes de onde gostariam de consumi-las ou eram disponibilizadas em apenas em certos períodos do ano. Devido à ausência de um sistema de transporte bem desenvolvido e de sistemas de armazenagem, o movimento de mercadorias era limitado e a armazenagem de perecíveis era possível apenas por um curto período de tempo. Essas limitações dos sistemas de movimentação e de armazenagem forçavam as pessoas a viverem perto das fontes de produção e a consumirem uma estreita gama de mercadorias.

Quando o sistema logístico passou a evoluir, o consumo e a produção começaram a separar-se geograficamente. As regiões se especializaram nas mercadorias que podem ser produzidas com mais eficiência, e o excesso de produção pôde ser transportado de forma econômica para outras áreas produtivas ou consumidoras, enquanto que os produtos necessários que não são produzidos no local passaram a ser importados.

Para Santana (2004) esse mesmo princípio aplicado ao mercado mundial ajuda a explicar o alto nível do comércio internacional que é desenvolvido hoje. Com isso, pode-se explicar também a evolução dos sistemas logísticos, pois estes possuem uma relação de causa e efeito com a evolução do comércio.

A evolução conceitual da logística teve sua origem principalmente na área militar, no período da Segunda Guerra Mundial. O objetivo desta tarefa durante este período era dar suporte às tropas que se deslocariam para uma batalha. A equipe de logística era acionada providenciando munição, alimentação, equipamentos e suprimentos médicos, antes mesmo de o batalhão dar início à viagem. Apesar de todo mal que traz uma guerra, é também através dela que se pode obter o desenvolvimento de uma nação, seja em tecnologia ou inovação conceitual; caso este que ocorreu com a logística.

Cadeia de suprimentos envolve materiais fluxo formado por insumos, componentes e produtos acabados (Novaes, 2004). A integração da procura e da oferta deve estar relacionada com as opções estratégicas que determinam quais as atividades e processos que uma organização irá realizar e como elas serão planejadas (Scholz-Reiter, Novaes e Frazzon, 2007). Planejamento e operações de controle, ou seja, a produção, estoques e distribuição através do processo da cadeia de abastecimento constituem o aspecto fundamental do SCM, onde o principal objetivo da gestão da cadeia é encontrar o equilíbrio envolvidas transações (STADTLER e DUDEK, 2005).

Deste modo, é fácil entender a semelhança existente entre as necessidades de uma tropa e as necessidades de uma empresa para suprir-se de matérias primas, movimentar, estocar e distribuir seus produtos.

Nos processos produtivos das empresas é necessário transportar produtos das fábricas para armazéns e também para os clientes finais; além de armazenar matérias primas em quantidades suficientes para garantir a produção planejada (TACLA, 2003). É também necessário manter produtos acabados em estoque devido à descontinuidade entre o ritmo da produção e da demanda.

Para haver a consolidação dos mercados globais há necessidade de sistemas logísticos eficientes capazes de fazer a ligação entre o setor produtivo e o cliente final, sendo influenciados por diversos fatores. A disponibilidade de recursos favorável ou a não-disponibilidade de elementos essenciais de produção desempenham papel decisivo na definição das redes logísticas. Outro importante papel pode ser desempenhado pelos governos com intenções políticas de atração de investidores que permitam às empresas ganhar vantagens específicas de localização, com o objetivo de compensar eventual falta de competitividade em relação a outras localizações (MARTEL e VIEIRA, 2008).

Essas operações, totalmente necessárias, eram consideradas apenas atividades de apoio no passado e hoje, as atividades relacionadas à logística absorvem grandes recursos dos países, já calculados em percentuais sobre o Produto Interno Bruto (PIB).


Analisando os gastos logísticos de algumas das principais nações pode-se afirmar que o custo percentual sobre o PIB é bastante significativo, principalmente nos países emergentes se comparados aos países desenvolvidos, o que mostra que a ineficiência nos transportes provoca um alto custo para a economia.


Sendo o Brasil um país com distâncias continentais, uma malha viária deficiente, bem como deficientes os modais ferroviário e hidroviário, não é difícil crer que o país efetivamente possa gastar 12% de seu PIB com logística.

Considerando que o PIB brasileiro foi de US$ 1,99 trilhão em 2008 e que o percentual aplicado em logística é de 12%, tem-se US$ 238,8 bilhões investidos em custos logísticos neste ano.
De acordo com a literatura existente que aponta os custos com transporte como os gastos mais impactantes na composição dos custos logísticos (aproximadamente 60% dos valores, segundo Lima, 2006), pode-se afirmar que US$ 143,28 bilhões foram destinados aos custos com transportes, ou seja, aproximadamente 7,2% do PIB nacional.

Este valor fica bem acima de valores obtidos em países desenvolvidos como é o caso dos Estados Unidos que despende apenas 4,8% do PIB em transporte. Isto demonstra que o transporte é um item muito significativo nas contas finais dos recursos gastos com os produtos brasileiros tanto para o mercado interno, quanto para produtos a serem exportados, compondo o “Custo Brasil” (TACLA, 2003).

O mercado de um modo geral, não acreditava que a operações logísticas pudessem agregar valor ao produto além do aumento de custo. A cada movimentação a contabilização era de incremento no custo do produto e assim, o setor de logística em uma empresa era visto como um centro de custo adicional sem poderes estratégicos para a tomada de decisão.

O fato que passou a contribuir para a valorização das atividades logísticas foi que o valor do produto não estava completo se distante fisicamente do consumidor, da mesma forma que a matéria prima não teria valor se não pudesse estar no local certo para dar início no processo produtivo; portanto, a logística passou a ser vista como potencial agregadora de valor ao produto final, posicionando-o no local correto, no momento correto e na quantidade correta. A partir de então o conceito de logística evoluiu e hoje relaciona-se à praticamente todos os processos da cadeia de suprimentos.

Segundo o Council of Logistics Management – CLM (2009), Conselho Norte-Americano de Logística, a definição mais bem aceita para logística, inclusive para autores brasileiros é:


“Logística é a parcela do processo da cadeia de suprimentos que planeja, implanta e controle de forma eficiente e eficaz, o fluxo de matérias-primas do estoque em processo, produtos acabados e informações relacionadas, desde seu ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender aos requisitos dos clientes/consumidores.”

Para Novaes (2004), também adepto ao conceito do CLM, a logística moderna busca incorporar:



  1. prazos previamente acertados e cumpridos integralmente, ao longo de toda a cadeia de suprimento;

  2. integração efetiva e sistêmica entre todos os setores da empresa;

  3. integração efetiva e através de parcerias com fornecedores e clientes;

  4. busca da otimização global, envolvendo racionalização dos processos e a redução de custos em toda a cadeia de suprimentos;

  5. satisfação plena do cliente, garantindo um nível de serviço pré-estabelecido.


Como se definiu, um sistema logístico inicia-se com os produtores de matérias-primas e termina com o consumidor final, sendo que a transformação ocorre durante sua trajetória.


Em grande parte das cadeias logísticas, o processo de transformação inicia-se junto à fonte de recursos naturais (produtor, neste exemplo), em seguida a matéria-prima é armazenada e na seqüência é encaminhada à unidade transformadora, conhecida como fábrica ou indústria. Uma vez transformada a matéria-prima em produto acabado, o mesmo é alocado em embalagens adequadas para sua proteção e transporte, para ser enviado ao centro de distribuição. Quando a venda se dá através de redes varejistas, o produto acabado ainda é encaminhado ao varejista para então, ser oferecido ao consumidor final (SILVA, 2008).

Além do fluxo de materiais há também o fluxo de informações, nos dois sentidos: montante à jusante, jusante à montante, além de valor monetário em sentido oposto ao de materiais pelo fato de vir do consumidor final para o fornecedor de matéria-prima.

Apesar de conceitualmente a “logística” ser bastante difundida nos dias atuais, ainda se percebe uma lacuna pouco explorada quando se trata de métodos quantitativos utilizados para auxiliar na gestão de suas operações.

Essas ferramentas são fundamentais para o bom sucesso de um empreendimento visto que permitem obter racionamento no uso de recursos, aumento de produtividade, otimização do sistema e, consequentemente, levando à redução de custos, objetivo principal de um negócio.


Vanina Macowski Durski Silva

Nenhum comentário:

Postar um comentário